Um estudo inédito realizado pela Secretaria Municipal de Saúde revelou que 38% das pessoas entre 15 e 65 anos que vivem em São Paulo iniciaram sua vida sexual até os 15 anos de idade. A idade das primeiras relações sexuais, a utilização de preservativo e outras informações sobre o comportamento da população foram levantadas pela pesquisa “Conhecimento, Atitudes e Práticas no Município de São Paulo (PCAP- MSP)”. Esse perfil da saúde sexual da população da cidade é uma ferramenta importante para aprimorar as políticas públicas de prevenção e tratamento de Aids e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) na capital.
O levantamento foi realizado entre outubro de 2013 e janeiro de 2014 e entrevistou 4.318 pessoas entre 15 e 65 anos. Os resultados mostraram que 94% das pessoas pesquisadas já tiveram relações sexuais. Nesse grupo, 82% têm parcerias fixas e 29% têm parceiros casuais. As relações com pessoas do mesmo sexo foram relatadas por 9% dos homens e 4% das mulheres. A PCAP- MSP foi realizada em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU).
Na cidade de São Paulo, o início da vida sexual antes dos 15 anos de idade é mais comum em pessoas do sexo masculino e em entrevistados de 15 a 24 anos (50%). Em comparação, na faixa etária com mais de 50 anos, o índice de iniciação sexual precoce é de 32%. O estudo também constatou que apenas 39% dos entrevistados relataram o uso de preservativo na primeira relação sexual.
Para praticamente todos os entrevistados (97%), o preservativo é a melhor forma de prevenção de infecção pelo HIV. Porém, somente 46% das pessoas utilizaram preservativo em sua última relação sexual. Ainda de acordo com o estudo, 46% dos entrevistados afirmaram que não tiveram acesso a preservativos no último ano.
As informações levaram a Secretaria Municipal de Saúde a facilitar a distribuição de camisinhas em espaços públicos da cidade. Já foram instalados 26 pontos de retirada (veja os endereços abaixo) em locais com grande circulação de pessoas, como terminais de ônibus e calçadas próximas a equipamentos de saúde, por exemplo. A camisinhas ficam à disposição em displays. Com essa medida, passaram a ser distribuídos mais de 2 milhões de preservativos por mês.
Outra informação importante do estudo foi que apenas 35% dos entrevistados já realizaram pelo menos uma vez o teste para detecção do HIV, ainda que o exame esteja amplamente disponível na rede de saúde pública. Além disso, só pouco mais da metade das pessoas (54%) sabem onde obter um teste gratuito. O resultado levou ao desenvolvimento desenvolvida outra novidade: o aplicativo “Tá na Mão”, lançado na última semana, que oferece um guia interativo com orientações e serviços relacionados a Aids e outras DSTs. Uma das funções do aplicativo é divulgar onde é possível fazer exames e tratamentos no município. A iniciativa é importante porque o diagnóstico precoce do HIV e o início rápido do tratamento aumentam a expectativa e a qualidade de vida dos infectados, além de reduzir a transmissão do vírus.
Sobre comportamentos de risco, embora 93% dos entrevistados concordem que o uso de drogas, inclusive o álcool, podem fazer com que as pessoas deixem de se proteger nas relações sexuais, apenas 23% admitem que esse fato já ocorreu consigo.
DSTs
Uma pequena parte da população entrevistada (6,3%) declarou ter contraído pelo menos uma DST durante a vida - 8,2% dos homens e 4,3% das mulheres.
A pesquisa também revelou que as mulheres demostram mais cuidado com a saúde do que os homens. Enquanto a maioria das entrevistadas que relataram história prévia de DST buscou tratamento com médicos (98,1%), mais de um quarto (26,2%) da população masculina, diante da descoberta de uma DST, não procurou um profissional para tratamento. A maior proporção de homens que buscaram atendimento médico foi observada entre os que possuem ensino superior (92,5%) e os das classes econômicas A/B (88,7%).
A baixa procura masculina por atendimento médico reduz as oportunidades de orientação para uso de preservativos e realização dos testes, principalmente para HIV e Sífilis. Dentre as mulheres, a proporção das que se submeteram a consulta ginecológica nos últimos 3 anos, com realização do exame de prevenção de câncer de colo de útero, foi de 79,8%. Outras 7,2% realizaram consulta ginecológica e não fizeram o exame preventivo; somente 2,9% nunca se submeteram a exames ginecológicos na vida.
Discriminação
O levantamento também incluiu perguntas que buscaram identificar de que forma se manifesta no dia a dia o estigma e a discriminação em relação a quem se relaciona com pessoas do mesmo sexo e aos que vivem com HIV. A população que mora em São Paulo mostrou que respeita as diferenças. Cerca de 75% dos entrevistados concordam que um casal homossexual adote uma criança - concordância que é maior entre as mulheres, os jovens de 15 a 24 anos e pessoas das classes A e B. Noventa por cento dos entrevistados concordam que seus filhos frequentem a mesma escola que uma criança com vírus HIV. A mesma porcentagem concorda que uma professora com AIDS, não doente, permaneça dando aulas - concordância que é maior entre pessoas de 25 a 49 anos, mais escolarizadas e das classes A, B e C.
Locais dos pontos de retirada de preservativos:
- UBS Sé: Rua Francisco Alvarenga, 259 – 4º andar– Pq. Dom Pedro II;
- CTA Henfil: Rua Líbero Badaró, 144 – Centro;
- UBS República: Praça da Bandeira, 15 – República;
- CRD (pertence à Secretaria de Desenvolvimento Social): Rua Major Sertório, 292/294 – República;
- SMS: Rua General Jardim, 36 – Vila Buarque;
- SAE Campos Elíseos: Alameda Cleveland, 374 – Centro;
- Programa De Braços Abertos: na esquina das ruas Dino Bueno e Helvétia;
- CRS Norte: Rua Paineira do Campo, 45 – Santana;
- CR DST/Aids Nossa Senhora do Ó: Av. Itaberaba, 1377 – Freguesia do Ó;
- SAE Betinho – Sapopemba: Av. Arquiteto Vilanova Artigas, 515 – Jardim Sapopemba
- Terminal Sapopemba: Av. Sapopemba, s/n – Jardim Sapopemba;
- SAE M’Boi Mirim: Rua Deocleciano de Oliveira Filho, 348 – Jardim São Luís;
- AE Vila Prudente (Aids): Praça Centenário de Vila Prudente, 108 – Vila Prudente;
- CR Santo Amaro: Rua Carlos Gomes, 695 – Santo Amaro;
- CTA São Mateus: Av. Mateo Bei, 838 – 1º andar;
- Estação de Trem Guaianases (display do CTA Guaianases): Rua Centralina, 168;
- CR Penha: Praça Nossa Senhora da Penha, 55 - Penha;
- STS Itaim Paulista: Av. Marechal Tito, 3012 – Itaim Paulista;
- Poupatempo Itaquera: Av. do Contorno – Itaquera;
- AHM: Rua Frei Caneca, 1.402;
- CRS Sul: Rua Fernandes Moreira, 1.470 – Chácara Santo Antonio;
- Subprefeitura Sapopemba: Av. Sapopemba, 9.064 – Jardim Grimaldi;
- CRT: Rua Santa Cruz, 88 – Vila Mariana;
- SVS Vila Mariana / Jabaquara: Rua Carlos Gerolomo Mônaco, 169 – Conjunto dos Bancários.
Tuesday, January 19, 2016
Prefeitura realiza pesquisa inédita sobre saúde sexual na Capital
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment