Tuesday, January 26, 2016

Programa De Braços Abertos é tema de debate no V Congresso Brasileiro de Saúde Mental


O programa De Braços Abertos, ação da Prefeitura de atendimento aos dependentes químicos que se concentram na região da Luz, foi tema de debate nesta sexta-feira (27) no V Congresso Brasileiro de Saúde Mental. A ação intersetorial, que une saúde, trabalho, acolhimento e alimentação, foi apresentada nesta tarde pelo prefeito Fernando Haddad, em encontro que discutiu cidadania e política de drogas. O congresso acontece até este sábado (28) no campus Indianópolis da Universidade Paulista (Unip).

No evento, Haddad defendeu que um dos diferenciais do programa foi a escuta pelo poder público dos pontos de vista dos dependentes químicos. A própria estruturação das ações foi desenvolvida em parceria com a comunidade do local, entre junho e dezembro de 2013. “O grande mérito do programa é que nós tivemos a atitude de ir lá e conversar com eles sobre a política a ser adotada. Nós tomamos aquelas pessoas como sujeitos, capazes de firmar acordos e entendimentos, e não como párias da sociedade”, afirmou o prefeito.

Com isso, o De Braços Abertos foi baseado no conceito de redução de danos, fazendo com que o dependente químico, com mais dignidade e seus direitos respeitados, deixasse gradativamente o consumo de crack e outras drogas. “Se você amplia o leque de alternativas para as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade, a tendência das pessoas é se afastar daquilo que as faz mal. Por isso a redução de consumo aconteceu. A autoestima das pessoas vai se recuperando gradativamente”, defendeu Haddad.

O resultado é que dois anos após a Prefeitura de São Paulo ter implementado o programa, 88% dos beneficiários da ação afirmam ter reduzido drasticamente o consumo de crack. Os dados fazem parte de uma pesquisa feita por assistentes sociais que atuam junto com os dependentes químicos e mostra ainda que, antes do programa, iniciado em janeiro de 2014, o uso de crack por pessoa era de, em média, 42 pedras por semana, e agora é de 17 pedras, uma queda de 60% entre as pessoas cadastradas.

No debate desta tarde, o prefeito questionou os interesses envolvidos no tráfico de drogas efetuado na região. “Há pessoas que vivem da miséria humana para enriquecer. Infelizmente esta dimensão não é tratada como deveria. Quem ganha com aquilo? Tem alguém ganhando dinheiro ali, não é pouca gente, não é pouco dinheiro. É isso que deveria ser perguntado pela sociedade”, defendeu Haddad.

O encontro também incluiu apresentações sobre o tema de Jessé de Souza, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, e de Leon Garcia, Secretário Nacional Interino de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça. Acompanharam o encontro Ana Estela Haddad, primeira-dama e coordenadora do programa São Paulo Carinhosa, e os secretários municipais Alexandre Padilha (Saúde) e Benedito Mariano (Segurança Urbana).

De Braços Abertos


O programa oferece a dependentes químicos moradia em hotéis, oportunidade em frentes de trabalho e renda, além de alimentação e capacitação. Dos mais de 450 beneficiários, 84,66% estão em tratamento de saúde e 72,75% estão trabalhando. Outro dado importante é que 52,52% dos beneficiários recuperaram o contato com a família, condição importante para a reinserção social do dependente químico. A atuação da Prefeitura também gerou a queda de 1.500 para 300 frequentadores na região conhecida como Cracolândia.


 


Imagens para download:
Crédito: Heloísa Ballarini/Secom
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