A Prefeitura de São Paulo instalou nesta terça-feira (13) um gradil de metal na esquina das ruas Cleveland e Helvétia para organizar o fluxo de pedestres e carros na área conhecida como Cracolândia, na região central da cidade. A expectativa é que os usuários de droga que frequentam local fiquem na parte interna do gradil, liberando as ruas que ficavam interditadas ao tráfego devido à concentração de dependentes na área. A medida está aberta a aprimoramentos, e a transferência dos dependentes está sendo pactuada.
O prefeito Fernando Haddad explicou nesta quarta-feira (14) que a medida foi tomada depois que os moradores da região reclamaram do fechamento das ruas. “A impossibilidade de locomoção tanto nas calçadas como de carro pelas vias. Pediram para organizar o espaço e não para cercear a liberdade de ninguém. Muito pelo contrário, é para ampliar a liberdade das pessoas que querem transitar pela região”, afirmou Haddad, após visita ao Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Correa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste.
A primeira tentativa de levar o grupo de aproximadamente 200 pessoas para a parte interna do gradil começou por volta das 16h de terça-feira (14). O grupo estava em frente ao Largo Coração de Jesus, obstruindo o trânsito na rua Dino Bueno. Depois, foi para frente da tenda da rua Helvetia, obstruindo a via.
Cerca de 50 homens da Guarda Civil Municipal (GCM) participaram da ação. Inicialmente, os usuários se recusaram a ir para a parte interna do gradil, e foram pra frente da tenda do programa “De Braços Abertos”, da prefeitura. Anguns entraram na tenda. Com isso, a rua Dino Bueno foi liberada ao tráfego. Como a GCM não conseguiu convencer o grupo, a ação foi desarticulada na noite de terça-feira (14), esperando que os dependentes fossem por conta próprio para o gradil.
Nesta quarta-feira (15) pela manhã, os usuários foram para o gradil, sem o registro de nenhum incidente. E as ruas da região da Cracolândia estão liberadas ao tráfego de pedestres e veículos.
O prefeito ressaltou que a medida é um procedimento para organizar o território e espera que, com negociação, os dependentes fiquem na área do gradil. “Nós reduzimos em 70% o fluxo de dependentes químicos. Queremos manter as vias e as calçadas liberadas para que todos possam transitar. Para fazer isso, o desafio é a negociação. Tudo está sendo pactuado. Agora, nós temos que buscar a pactuação. Não podemos esperar de forma passiva, vendo o tráfico atuar . Vamos estar presentes com o contingente que for necessário para dar o recado de que aqui é um lugar público e que não vamos deixar eles retomarem a região”, disse. “Nós vamos assegurar o direito de todos. Se a pessoa está doente, ela tem o seu direito. O morador, o lojista, o pedestre e o motorista também têm”, completou.
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