Morto por um policial militar em 30 de outubro de 1979, enquanto liderava uma greve de 6.000 trabalhadores na fábrica Sylvania, em Santo Amaro, o operário Santo Dias foi homenageado na noite deste sábado (8) em ato no cemitério Campo Grande, na zona sul. A cerimônia, organizada pela Secretaria Municipal de Serviços, por meio do programa Memória & Vida do Serviço Funerário, marca os 35 anos do assassinato de um dos marcos da luta contra a ditadura militar.
“Essa morte chocou a cidade e o Brasil até pelo momento em que ela ocorreu. Muitos já haviam sido assassinados em um momento anterior, mas já era um momento de distensão que se esperava que assassinatos não mais ocorreriam e a democracia venceria. Foi um momento de muita comoção, mas a luta pela liberdade ganhou impulso”, disse o prefeito Fernando Haddad.
Ao lado do filho do líder sindical, Santo Dias da Silva Filho, o prefeito Haddad destacou a importância de preservar a memória das vítimas do regime militar. “Essa homenagem tem um significado muito especial hoje, porque no momento, algumas pessoas pela distância do período tenham se esquecido o que é a privação da liberdade e do que é falta de democracia no país. Esse é o momento mais atual e necessário”, disse o prefeito.
“A morte do meu pai no período da ditadura serve ainda como lembrança para as pessoas saberem que esse momento difícil não devem voltar. Assim como o mundo lembra dos seus mortos que foram assassinados é preciso que a gente também lembre a faça a justiça a essas pessoas que deram a vida por um mundo mais justo e digno”, afirmou o filho de Santo Dias, que tinha 13 anos quando o pai foi assassinado.
Santo Dias foi militante nas Comunidades Eclesiais de Base, participando da fundação da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo e do Movimento Contra o Custo de Vida durante a ditadura militar. No dia seguinte a sua morte, no seu cortejo fúnebre, milhares de trabalhadores prestaram homenagem ao homem que lutou contra a repressão aos direitos da classe operária com gritos de “a luta continua”.
“A lança do soldado atravessou o peito de Cristo na cruz e a bala assassina atravessou o peito de Santo Dias, mas ele continua vivo na memória e no dinamismo de quem acredita nos valores da liberdade”, disse Dom Angélico Sandalo Bernardino da Pastoral Operária.
“O Santo Dias é um herói nosso e no momento de dúvida, em que tentam entorpecer a memória do nosso povo com mentiras, é importante a gente resistir e essa é uma atividade de resistência”, afirmou o secretário de Serviços, Simão Pedro.
Fotos
Crédito: Cesar Ogata/SECOM
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