Cerca de 100 alunos de escolas municipais e representantes de grupos ligados à juventude da periferia de São Paulo puderam ouvir e debater, na tarde desta terça-feira (11), as ações de relações internacionais voltadas para os jovens, com o diplomata e ex-chanceler brasileiro Antonio Patriota. O evento, com o tema “Consolidando os direitos da juventude”, faz parte das comemorações do 70º aniversário da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi fundada em 1945.
Ex-ministro de Relações Exteriores entre 2011 e 2013 e embaixador brasileiro em Washington de 2007 a 2009, Patriota ocupa há dois anos o cargo de representante do Brasil na ONU. Entre os alunos de escolas municipais presentes, 80 jovens, sendo 40 titulares e 40 suplentes, participaram em julho, por meio de parceria com a Prefeitura, da 6ª edição do São Paulo Model United Nations (SPMUN). O evento reuniu outros 300 estudantes de Ensino Médio de todo o Brasil, a maioria de escolas particulares, que simularam reuniões de nove comitês da ONU, com toda a vivência de chefes de Estado e delegações, por cinco dias.
“O jovem estudante do Ensino Médio de São Paulo se interessa pela ONU e isso é importantíssimo, porque o Brasil está chamado a desempenhar um papel cada vez maior no mundo. O Brasil, hoje em dia, é um dos únicos no mundo que têm relações diplomáticas com todos os membros das Nações Unidas”, disse Patriota aos jovens.
“Esse tipo de atividade pode nos interessar mutuamente. A administração ganha por ter a oportunidade de se aproximar e interagir com vocês, ouvindo as demandas, perspectivas e visões de mundo. Talvez, para vocês, conhecer as facetas da administração pública também seja importante”, afirmou o prefeito Fernando Haddad, que participou do evento.
A experiência de levar alunos de escolas municipais para participarem do SPMUN foi reconhecida pelos jovens que participaram do evento nesta terça (11) e, de acordo com o prefeito, deverão ser repetidas.
“Como são poucas as escolas [de Ensino Médio], temos mais chances para explorar parcerias que não foram exploradas e, talvez, trocar impressões”, disse o prefeito.
“Participar de uma simulação das Nações Unidos foi muito legal. A gente queria muito fazer parte disso. Tivemos dificuldades, porque nunca tínhamos estudado relações exteriores e queríamos provar que a escolas municipais também são capazes de participar de um evento como esse. O SPMUN foi inspirador”, afirmou Ligia Maria da Silva, aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio (EMEFM) Antônio Alves Veríssimo.
A articuladora da Juventude Viva da Brasilândia, Ana Carolina de Jesus, aproveitou o encontro com o representante do Brasil na ONU para pedir uma defesa mais incisiva da população negra em assembleias das Nações Unidas, como a que será iniciada a partir de 25 de setembro.
“É fundamental que o Brasil se posicione em âmbito nacional e internacional, diante das formas como a população negra é desvalorizada e violentada no mundo. Mesmo que a ONU tenha condenado a escravidão negra, em várias nações e contextos, sejam rurais ou urbanas, jovens negros ainda trabalham de forma precária”, afirmou.
Também participaram do evento a vice-prefeita, Nádia Campeão, os secretários municipais Eduardo Suplicy (Direitos Humanos e Cidadania), Gabriel Chalita (Educação), Vicente Trevas (Relações Interacionais) e a primeira-dama, Ana Estela Haddad.
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Crédito: Heloisa Ballarini/Secom
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