Vencedoras do Prêmio Educação Além do Prato reuniram-se na manhã desta quinta-feira (3) no auditório da Galeria Olido, no centro da capital, para o compartilhamento de suas experiências a partir da premiação. Intitulado de Missões Além do Prato, o evento contou com a presença do secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita, e trouxe a apresentação de relatos das viagens que diretoras, professoras e merendeiras fizeram junto a missões do Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA).
"Nós alimentamos as crianças em dois polos. Alimentamos para que elas tenham força, para que elas cresçam com dignidade. Mas é muito bonito também a gente perceber o significado desse alimento que nos alimenta de amor, que nos alimenta de esperança. O papel da educação é esse", afirmou Chalita.
Os primeiros colocados tiveram a oportunidade de realizar uma viagem à Dacar, no Senegal, para acompanhar uma missão do PMA. A merendeira Maria Aparecida Gomes Martins, da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Recanto Campo Belo, em Parelheiros, zona sul, foi uma delas.
"Poder fazer uma apresentação no Senegal para representantes de 27 países foi de uma grandeza enorme. Em 12 anos trabalhando como merendeira na mesma escola, eu nunca imaginei chegar tão longe. Com uma simples receita fui parar lá na África", disse a merendeira.
A receita que levou Maria Aparecida à Africa foi a de um arroz colorido. Para driblar a resistência de algumas crianças quanto à aceitação de legumes, a merendeira criou versões do carboidrato com pastas de espinafre, beterraba ou cenoura. "Tudo natural e bem simples", reforça.
Professora da mesma escola, Sonia Maria Maruso Ribeiro também destacou como a experiência a marcou. "Essa missão mudou os rumos da minha vida. Ela me abriu as janelas do mundo. Fomos fazer uma apresentação representando São Paulo em um seminário sobre alimentação escolar. Fomos falar sobre a nossa experiência. Até então, não tinha noção da nossa riqueza", afirmou.
Sonia conta que em uma visita a uma escola de Dacar, a mais antiga da cidade, relatou a experiência brasileira com alimentação escolar a crianças, professores e autoridades. Experiência essa que em muito se difere da situação local, onde a alimentação na escola é exceção e, quando existe, é preparada de forma voluntária pelas mães das próprias crianças.
"O prefeito da cidade virou para mim e me disse que nós havíamos trazido esperança para o seu povo. Era dia 8 de junho e desde então, toda noite, eu me pergunto se ele conseguiu transformar o seu desejo em realidade", lembra a professora.
Também relataram suas experiências a professora Marister Alves de Moraes, da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) do CEU Alto Alegre, em São Mateus, e a diretora Rosana Gonzaga Dobre Batista, do Centro de Educação Infantil (CEI) Missionária Dorothy Stang, em Itaquera. As duas escolas ficaram em segundo lugar e suas representantes puderam acompanhar uma missão do PMA realizada em Brasília.
Os terceiros colocados tiveram direito a uma experiência gastronômica no Restaurante Tordesilhas, na zona oeste da cidade. Todos os finalistas também participaram de workshops promovidos em parceria com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e com o SENAC.
Educação Além do Prato
O concurso foi lançado em 6 de maio pelo prefeito Fernando Haddad e as escolas puderam apresentar suas receitas até setembro, onde foram escolhidas 20 pratos em cada Diretoria Regional de Ensino (DREs) por uma comissão própria, somando 260 propostas. Outra seleção escolheu 26 receitas, sendo duas por DREs, sendo um prato quente e outro frio.
Criado pela Secretaria Municipal de Educação, o concurso teve como objetivo promover a educação saudável, não só com a criação das receitas, mas também com ciclos de palestras, debates e eventos de educação alimentar em cada escola, que também contam na avaliação.
"Muito além de contemplar as duplas viajantes, o que a gente quer é que as crianças se alimentem cada vez melhor e de forma sustentável. Que elas aprendam a comer bem para o resto da vida", afirmou Erika Espindola Fischer, diretora do Departamento de Alimentação Escolar da pasta.
Como um fruto já evidente do concurso, Erika citou o fomento das hortas escolares. De acordo com ela, antes da premiação, a secretaria tinha o registro de pouco mais de 100 hortas. "Hoje temos a certeza da sistematização de 316 hortas escolares", afirmou.
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Crédito: Cesar Ogata/Secom
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