O Conselho da Cidade estuda criar um grupo temático para discutir a crise hídrica em São Paulo. A falta de água foi um dos temas discutidos na sétima reunião ordinária do grupo realizada nesta sexta-feira (10) na sede da administração municipal.
O prefeito Fernando Haddad disse que a ideia do conselho é aprofundar a discussão sobre o problema para que os conselheiros façam as recomendações que deverão ser enviadas às autoridades competentes.
“O conselho está muito apreensivo [com a crise hídrica]. Acho que nós precisamos aprofundar [a discussão], e nós vamos acatar o posicionamento do conselho: fazer um grupo temático sobre água e elaborar um documento que será submetido ao pleno [do conselho]. O governo não tem interferência sobre conselho. O que eu gostaria é que a cidade pelo seu conselho expressasse suas preocupações e pudesse endereçar recomendações às autoridades competentes”, afirmou Haddad.
O Conselho da Cidade é um órgão consultivo formado por representantes de movimentos sociais, entidades de classe, empresários, cientistas, pesquisadores, artistas e líderes religiosos, que atua como um canal de comunicação entre a administração municipal e a população de São Paulo.
Durante a reunião, o coordenador do Movimento Água para São Paulo da The Nature Conservancy, Samuel Barreto, lembrou que a Região Metropolitana de São Paulo tem mais de 20 milhões de habitantes e que está no seu limite de oferta e demanda de água. Segundo ele, daqui a dez anos o déficit no abastecimento será de 15%, porque o padrão de consumo tem aumentado.
Segundo Barreto, outro problema que tem relação com a crise hídrica é a situação dos mananciais, que perdeu cerca de 70% da cobertura florestal original, o que tem impacto direto na quantidade e na qualidade da água devido à poluição das águas, ao desmatamento, e à ocupação desornada.
Barreto também ressaltou a importância da participação da população no uso consciente da água. “A gente vê com muita preocupação este impasse neste momento em uma situação extremamente crítica seja dos órgãos federal e estaduais para resolver essa questão. Então a participação da sociedade vai ser fundamental como resposta não só para esta crise deste ano, mas para eventuais outras crises porque a gente não sabe o que vai acontecer no ano que vem”, afirmou.
“O objetivo aqui é construtivo, é de transparência e construtivo, assim como penso que a Câmara também poderia trabalhar nesse sentido de construir soluções para a crise híbrida”, Fernando Haddad
O presidente da Agência Nacional das Águas, Vicente de Andreu, explicou o funcionamento do sistema de gerenciamento Cantareira e destacou os quatro principais fatos para a seca do sistema. “O primeiro fato é que nós nunca atravessamos no Brasil, desde 1934, quando esses registros são feitos, uma seca tão intensa. Segundo fato, nós temos um empenho significativo por parte da Sabesp no sentido de melhorar e fazer um esforço para suprir e corrigir as falhas dessa falta de previsão em relação a esse processo de seca”, disse.
Segundo Andreu, as decisões que precisavam ser adotadas no passado não foram tomadas, no sentido da construção de alternativas para a região metropolitana. “O quarto fato é que nós temos um processo eleitoral que tem dificultado o processo de tomada de decisão com relação às medidas que são necessárias no processo de redução da retirada de água no sistema Cantareira [para] que a gente possa prorrogar a vida do sistema”, completou.
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Crédito: César Ogata / SECOM
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