Monday, February 22, 2016

Operação ‘De Braços Abertos’ inicia desidratação do ‘fluxo’ da Cracolândia e empareda comércios irregulares


Depois de priorizar a inclusão social, por meio da oferta de moradia, trabalho e atendimento de saúde e assistência social, a Prefeitura de São Paulo vai atuar para inibir o comércio de drogas na rua e em comércios da região. Com apoio das equipes de saúde, guardas municipais usarão uma tática, não-violenta, de “incômodo” ao fluxo, nome dado à aglomeração de usuários de crack na rua e onde os traficantes se misturam. O fluxo, nos piores momentos, chegava a juntar até 300 pessoas.



Sobre as novas abordagens, o prefeito Fernando Haddad reforçou que serão feitas com muito cuidado para que não haja quebra de confiança com os integrantes do programa. "Ela não será uma ação repressiva, mas um processo combinado e nós temos que calibrar a nossa ação para esse novo momento, resguardando todas as diretrizes que nos fizeram chegar até aqui com sucesso", disse o prefeito, em coletiva na tarde desta quinta-feira (13). Antes da entrevista, o prefeito se reuniu com secretários municipais e representantes de entidades da sociedade civil para tratar de assuntos relacionados à operação “De Braços Abertos”.      



Por meio das câmeras de monitoramento, a administração municipal fez um levantamento diário de frequentadores fixos do fluxo, permitindo identificar usuários que não estavam nas primeiras levas de cadastramento, que priorizou os dependentes que estavam em situação de rua, morando em barracas na calçada. Com isso, 79 novos cadastros foram feitos nesta semana, visando a inclusão de dependentes que habitam a região, diferentemente do usuário que frequenta o fluxo esporadicamente em busca do crack.



"Quanto àqueles de frequência esporádica, o que nós estamos recomendando é que essas pessoas deixem de consumir a droga nas vias e logradouros públicos. Nós temos de garantir o direito de ir e vir de todos - e isso implica que o consumo, por exemplo, não deva ser aceito com a naturalidade que ele foi nos últimos 10 anos. Há portanto uma política de desestímulo da aglomeração para esse fim na região", afirmou Haddad.


 
"Com a intenção de acabar com essa aglomeração, nós já fizemos uma ação de inteligência quando pegamos as imagens da Segurança Urbana, analisamos em conjunto com as equipes de saúde e de assistência para o reconhecimento dessas pessoas e as inserimos no programa. Nós queremos mandar uma mensagem muito clara de que essa concentração de pessoas, chamada de fluxo, onde ocorre o uso e onde chega o tráfico, não pode acontecer mais, pois é prejudicial inclusive às pessoas que estão inseridas no De Braços Abertos", afirmou Luciana Temer, secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. 



Desintoxicação
Dados das equipes de saúde divulgados no acompanhamento de 2 meses indicam a redução de 50% a 70% no consumo de médio de crack, como consequência, entre outros fatores, do resgate social e de atividades que organizam a rotina diária. Além de 4.996 mil abordagens e 776 atendimentos médicos, 329 pessoas iniciaram tratamento de saúde com vistas à desintoxicação.



“Nós temos um reflexo na saúde bastante importante: 329 pessoas do programa iniciaram tratamento de saúde com vistas à desintoxicação. É um número bastante expressivo de pessoas em tratamento, embora ele não fosse uma obrigação propriamente, mas uma indução. Temos hoje a maioria das pessoas já em tratamento. A maioria reduziu o consumo e uma parte chegou a já deixar as drogas”, disse o prefeito Fernando Haddad.  



No geral, 86% dos participantes conseguem manter frequência regular nas frentes de trabalho, segundo as equipes de acompanhamento. As faltas ocorrem, geralmente, por motivo de recaídas, exaustão física, doença ou turbulências na vida social dos beneficiários.


No setor de segurança, com a parceria entre a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana, 25 suspeitos de tráfico foram detidos entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Desde então, considerando apenas os dados da GCM, outros 11 foram presos, após verificação de flagrante de tráfico por meio das câmeras de monitoramento. 



Para garantir equilíbrio, as equipes de saúde, assistência social e segurança urbana serão reforçadas de modo a provir uma maior ocupação do espaço. "Será um processo por meio da inserção da mensagem de que o consumo não será mais permitido na rua. Nós não vamos prender usuário, nós vamos dificultar a ação do traficante com uma presença maior. Nos estamos separando cada vez mais o usuário do traficante", lembrou Roberto Porto, secretário municipal de Segurança Urbana. 



Iniciado no último dia 15 de janeiro, o programa cadastrou 386 pessoas, 301 das quais estavam morando em barracos na calçada. Foi registrada a evasão de 26 pessoas e outras 132 desistiram de frequentar o programa, mas foram embora da região. Outras 13 pessoas foram reintegradas às suas famílias mas permaneceram no programa. Os 228 beneficiários hoje estão sendo acompanhados individualmente, e o mesmo irá acontecer com os 79 novos cadastrados. O projeto oferece vagas em hotéis, três refeições diárias, participação em uma frente de trabalho de varrição por quatro horas diárias, duas horas de capacitação e renda de R$ 15 por dia.



Emparedamento

De acordo com a subprefeitura Sé, três bares foram emparedados na região da Cracolândia por não apresentarem alvará de funcionamento e de segurança. Desde 2012 existe um processo fiscal para que esses estabelecimentos sejam regularizados. Mas até o momento, isso não havia acontecido. De acordo com órgãos policiais, traficantes poderiam estar utilizando alguns comércios da região como apoio.

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Crédito: Fernando Pereira/SECOM
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Crédito: Heloisa Ballarini
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